Globo, respeite o Brizola!
março 31, 2009
.
Reproduzo abaixo um texto do grande Cláudio, do engajado blogue ‘Chuta que é macumba“:
Geralmente, quando quer abafar seus podres inventando uma crise no governo Lula, a mídia golpista que assola o Brasil pega um zé-mané qualquer e faz com ele uma entrevista “bombástica”. Ou então mente, como no caso do grampo a Gilmar Mendes. Porém, o jornal O Globo derrubou todas as barreiras éticas: estampou, no fim de semana, supostas denúncias de supostos recebimentos de propina no governo do impoluto Leonel Brizola. Tal informação é baseada, vejam vocês, num relatório do SNI, órgão do regime militar que inventou, entre outras asneiras, uma série de lendas ainda hoje vigentes, como o fato de comunista comer criancinha.
Eu tinha estranhado uma matéria na sexta-feira passada, em que o mesmo Globo trazia relatos sobre o Grupo dos Onze. A fonte também era o SNI, porém o texto não apresentava conotação negativa. Os crápulas estavam apenas preparando o terreno para bater em morto, literalmente, desrespeitando a memória do grande líder.
Brizola foi um dos maiores políticos que esse país já teve. Por isso mesmo, sempre foi mostrado pela imprensa vendida como louco e desequilibrado, e sua história sempre é tratada com desdém quando se fala do processo de redemocratização do Brasil. Tal imbecilidade faz o povo ignorar, por exemplo, o Movimento da Legalidade, uma das mais articuladas campanhas (talvez a mais) contra a tentativa de tomada do poder pelo Exército que se anunciava ainda em 1961. Na contramão da democracia e depois de consolidado o golpe em 64, O Globo publicou oportunamente um editorial falando maravilhas desse atentado…
Ao pessoal da Globo: eu sei que vocês já foram humilhados em público pelo velho caudilho por diversas vezes – veja aqui, aqui e aqui (este último é obra preciosa do grande Edu Goldenberg!) -, mas apelar é feio. Tão feio que ninguém deu pelota para essa bobagem, a não ser os brizolistas que, justo, se sentiram ofendidos. O que vocês fariam caso alguém resolvesse publicar uma série de matérias no mesmo tom sobre o Roberto Marinho?
Que os amigos me perdoem pela comparação indevida desse crápula a Leonel Brizola, que só deveriam estar na mesma frase para comprovar antíteses. Respeitem o Brizola, seus merdas!
.
São Paulo que amanhece trabalhando…
março 18, 2009
.

.
Os carrões que passam sob a ponte estaiada, na altura da Avenida Águas Espraiadas (o nome, para mim, ainda é esse), podem ler o pedido silencioso de socorro dos moradores mais pobres da região, que estão sendo ‘convidados’ a se retirar dali.
No local será erguido outro desses prédios altamente tecnológicos que comportam gente sem vida, durante o horário comercial. E assim a pesada base para a maquiagem da cidade vai tomando forma: a beleza ilusória que esconde o monstro escroto da zona sul será totalmente definida até 2014.
A apenas 10, 15 metros de onde tirei essa foto – no cruzamento com a Berrini – consegui registrar também como estão sendo tratados esses inconvenientes que ainda insistem em não abandonar seus humildes lares:
.

Ambulantes de semáforo e limpadores são revistados na 'Av. Entreguista Roberto Marinho' com a Berrini. Fotos: CS
.
BUUUU!
março 14, 2009
.

Foto: oCoruja
.
Na boutique da Tranqueira estelionatária
março 11, 2009
.
Ossos do ofício.
E tive, finalmente, que conhecer o puteiro de luxo chamado ‘Daslu’; o dourado que se espalha desde a entrada; a ostentação que invade o elevador, com seus espelhos e namoradeira de preço incalculável; os lustres de cristal colorido; os rostos sem alma, as mulheres de pérolas e pernas finíssimas: ossos da mediocridade.
O cheiro de caríssimos perfumes, misturados em tantas mulheres mal-comidas, é de causar ânsia de vômito. Os homens sem barba e sem pênis que as seguem pela coleira, me fez rir.
Toda essa soberba ao lado da favela de Paraisópolis, onde o povo não é mais benvindo…
Sonho com o dia que verei essa gente nojenta degolada, como ocorreu com os nobres e o clero na Revolução Francesa. O tempo é cíclico, e Diderot sentenciaria:
“O que resta fazer? Enforcar o último padre nas tripas do último rei!”
Pelo menos a Heineken é de graça, e me deu ânimo para escrever esse texto.
.
O Clique sem claque
março 8, 2009
.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/
.
O repórter está morto
março 2, 2009
.
por Claudio Julio Tognolli
.
O jornalismo investigativo está morto. Sobrevive, tão somente, em salas de aula. Apenas porque lá repórteres engravatados vão dar palestras. Diante do silêncio maravilhado dos alunos, mostram o que é deter o júbilo de ser um ungido pelos deuses pagãos do jornalismo. Mas esta farsa luminosa, lacunarmente encenada, logo se dissipa como água na água: o aluno logo aprende que o jornalismo investigativo é um defunto tresnoitado. O que sobrou para os jornalistas investigativos, agora, é copiar grampos degravados por peritos policiais sonolentos. Ou copiar boletins de ocorrência. Tanto faz: o que era para ser ponto de partida (os dados oficiais), virou ponto de chegada.
O curativo arrepio de delícia, que percorre a espinha do repórter, sempre que pega um furo, passou a ter um preço. E este tem deixado diretores de redação numa rarefação de causar rodopios. Levantamento feito pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, mostra que há no Brasil quase 2,8 mil jornalistas processados. Um recorde mundial. Os dados são de dois anos atrás. Tudo porque, mesmo defendendo publicamente a tão aclamada “transparência”, diretores de jornais sucumbiram, ano passado, à assoprada dada pela entidade patronal que congrega os donos de jornal. A saber: não revelem novamente os dados dos processos sofridos por jornalistas. Isso custa caro ao preço das ações das empresas.
Sabe-se que esse número de processos contra jornalistas dobrou. Ninguém é mais processado pela Lei de Imprensa. Desde a Constituição de 1988, advogados preferem processar jornalistas pelo artigo quinto, inciso décimo, da Carta Magna, que prevê a inviolabilidade de imagem. Ações cíveis contra empresas de jornalismo viraram um bom investimento. Estima-se que, no Brasil, pelo menos RS$ 70 milhões estejam sendo postulados na Justiça contra jornalistas.
O número total de ordens judiciais de interceptação telefônica no país em 2008 ultrapassou 400 mil, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) junto às operadoras, entre 1º de janeiro e 5 de dezembro do ano passado, da CPI e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o relatório da Anatel, foram determinados 398.024 grampos em celulares e 11.905 em telefones fixos, totalizando 409.929 pedidos de interceptações.
Numa sondagem feita com 8 repórteres investigativos, referiram-me que, de tudo o que publicaram ano passado, em seus jornais e revistas, mais de 90% “veio pronto”. Ou seja: essa produção industrial de grampos acabou escoando nas páginas da mídia. Agora entendemos porque o jornalismo investigativo dá sinais alusivos de agonia, e uma inervação indissolúvel toma conta dos advogados contratados para escangalhar o couro de repórteres.
A filosofia que preside um inquérito, naturalmente, é aquela chamada, em lógica, de princípio do terceiro excluído, ou, em latim, “tertio non datur”. Ou lidamos com culpados, ou com inocentes. Ou com o bem, ou com o mal. Jamais se pensaria em absurdidades logicamente possíveis, como, digamos “bondade que mata”. O ministério público, titular da ação penal, está aí para isso. A defesa dos acusados que se vire: a princípio todos são culpados. Esse mecanismo veio funcionando bem, com seus excessos, é claro, até que vieram os grampos. E até que vieram as “bolachas” (CD’s) com todas as gravações e grampos e o escambal a quatro. Esse escarmento, levado aos repórteres, criou uma enxurrada de “jornalistas investigativos”, cujo único papel tem sido reproduzir o que se recebeu da polícia ou das procuradorias.
Roda nas redações do Brasil, a boca pequena, um documento de onze páginas, sobre a chamada Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à cadeia. Nele alguns jornalistas são citados como partícipes do movimento que teria levado à privatização da Satiagraha, daí o afastamento do delegado Protógenes Queiróz. O documento tem servido como “mea culpa” para todo o repórter que o lê. A concorrência para dar o furo tem feito o repórter surfar os limites do impossível. Tem nos aproximado do velho alpendre filosófico de Nietszche quando alertou que, toda vez que nos aproximamos por demais do monstro que queremos combater, corremos o risco de nos tornarmos iguais a ele. A indústria dos grampos, e a cobrança no esquema da concorrência pelo furo, deixou o repórter pairando no intermédio de ambos: hoje é juiz. Amanhã será carrasco. O populacho que consome shows aplaude a transmutação. Os advogados de redações coçam os rubis dos anéis.
Claudio Tognolli é repórter especial do site Consultor Jurídico, professor da ECA-USP, e co-roteirista do filme sobre a vida do policial Francisco Garisto, ora filmado pelo diretor Mauro Lima (Meu nome não é Johnny).
.
Hugo Chavez
fevereiro 28, 2009
.
Hugo Chaves, Hugo Chaves… quem me dera não fosse meu país tão rico, e meu povo, quiçá, fosse mais forte.
Quem me dera meu Lula que amo tivesse tua coragem para esfregar na cara do mundo a falácia da democracia americana. Como queria, então, que meu povo tivesse a coragem de acompanhá-lo, como teu povo te acompanha.
Quando a gente acha que o futebol acabou, aparece um Maradona. Quando a gente acha que o mito morreu, aparece Michael Jordan.
E a razão da vida morria para mim quando surgiu Saramago.
E a história do mundo era História, quando surgiu Hugo Chaves.
Minhas filhas têm esperanças, e eu sorrio.
.
Lago seco e privatizado
fevereiro 26, 2009
.
O decreto data de 2005, quando José Serra ainda era prefeito: a partir desse ano, empresas privadas assumiram a manutenção dos lagos dos parques municipais.
As empresas contratadas, que deveriam cuidar da poluição dessas águas, da fauna presente nos lagos, bem como da erosão e assoreamento dos mesmos, ganharam em troca do prefeito o direito de fazer sua propaganda nos parques da cidade.
O resultado está aí. O descaso e o desprezo com tudo que é público, a vontade de privatizar até as tarefas mais básicas de uma administração pública, a vagabundice na hora de governar, deu no que deu.
.
Melô da classe mé(r)dia
fevereiro 19, 2009
.
.
Sobre genocídios
fevereiro 12, 2009
.

.
Quem acompanha o Cruz de Savóia sabe que às vezes fico chato quando faço digressões. E me perdoam, espero… Mas é que estar nesse mundo e ser indiferente ao horror me parece tarefa sempre mais difícil, à medida que envelheço. Tristeza é o que nos define hoje quando nos percebemos parte dessa mesma espécie de viventes.
É difícil falar só sobre futebol hoje, sobre Palmeiras. Por outro lado me faltaria, digamos… responsabilidade para falar deste outro assunto; então peço licença aos amigos para deixar aqui três links que resumem com competência os últimos dias na vida de um palestino. Não há leitura leve sobre o tema mas, entre tantas notícias retumbantes pela rede, essas aqui são água com açúcar. A primeira foi colhida do Times, a segunda da Al Jazeera e a terceira é uma entrevista com um catedrático que leciona em Nova York, especialista em Política e História árabes (Joseph Massad).
Do Vi o Mundo:
.