Poema de Jairo

janeiro 17, 2011

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Sulca o cepo genuíno
Que a mão carmínea replaina
Nesse goivar matutino
Tua garlopa se amaina
Num balouço de menina
Laceado na liana
(e a menina, ressupina,
se retouça linda e lhana…)

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Do granadilho serrado
Acena um cerne dulcífluo
Meu débil verso talhado
Sob teu dorso melífluo
Lírio de flor transudada
Na derme fria do idílio
(e ao cio do lírio enliçada
uma açucena do Filho…)

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Galga a cruz de lenho fito
De um galivar oscilante
Sustendo um peito sopito
Sobre meu leito abarcante
Cada tempo que me invita
Algum sepulcro solinho
Que açambarcado levita
Entre minh´alma daninha
(e a menina derrelita
ressucita em teu caminho…)

 

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