janeiro 30, 2011

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Foi perdendo um centímetro por dia, ele. Ficou tão minúsculo que se habituou a encaixar seu corpo no vão da escrivaninha, com seus papéis e tintas, tentando destilar sua perspectiva terminal do mundo.

Ela perdeu substância, mas ganhou massa; acorda sempre mais inabitada, inominável no espelho. No espelho, hoje é o peso da desesperança.

Eu sinto, penso, mas não existo. Quando morri tornei-me um pombo negro, voando no anonimato da vulgaridade; só quando pouso percebo quanto medo, tanta mágoa…

O menino corre pela rua entretido, puro vento, quase plana. Não leva nada, não mede forças, acaricia a matéria e segue brincando; a alma ainda guia seu corpo, então ninguém o nota. Como não notam o velho morrendo na calçada, a vida aquartelada pela mente: não poder perder, conseguir chegar. Só isso, só isso.

Ela perdeu o brilho, mas ganhou cinismo. Sorri como se fosse de novo invisível, ninguém vê a diferença.

“Perdi a vida, mas ganhei asas” – encolhido entre as telhas que recobrem aquele pátio, ele se resigna.

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Poema de Jairo

janeiro 17, 2011

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Sulca o cepo genuíno
Que a mão carmínea replaina
Nesse goivar matutino
Tua garlopa se amaina
Num balouço de menina
Laceado na liana
(e a menina, ressupina,
se retouça linda e lhana…)

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Do granadilho serrado
Acena um cerne dulcífluo
Meu débil verso talhado
Sob teu dorso melífluo
Lírio de flor transudada
Na derme fria do idílio
(e ao cio do lírio enliçada
uma açucena do Filho…)

Carpinteiro, o galo canta…
Carapina, o galo, levanta!

Galga a cruz de lenho fito
De um galivar oscilante
Sustendo um peito sopito
Sobre meu leito abarcante
Cada tempo que me invita
Algum sepulcro solinho
Que açambarcado levita
Entre minh´alma daninha
(e a menina derrelita
ressucita em teu caminho…)

 

6 décadas e contando…

janeiro 14, 2011

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Marginal Tietê (1960)

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Túnel do Anhangabaú (1963)

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Avenida 9 de Julho (sem data)

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Vale do Anhangabaú (1967)

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Rua Teixeira Leite (1956)

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Avenida Cruzeiro do Sul (1957)

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Data e local incertos

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Como implodir seu blogue

janeiro 11, 2011

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Tentei o quanto pude deixar minhas convicções políticas longe dessa página. Mas, como não consegui mesmo, agora vou chutar o balde:

Admito que um alienado, daqueles que adoram dizer “político é tudo igual”, vote no Kaxab. Afinal, quem não tem personalidade é levado pela corrente, é uma lei mundana. Agora, o sujeito que se interessa minimamente pelos assuntos da cidade em que vive, que assisitu algum dos debates, vir me dizer que vai votar na Arena?!

Então repito o que já disse em outros fóruns de discussão: São Paulo é a contramão do Brasil. É a marcha-ré do Brasil… 80% do povo dessa nação acham o governo petista bom ou ótimo mas, por aqui, o ranço dos quatrocentões infecta a classe média, que elege um ratinho de Maluf, um candidato do PFL, mesmo sabendo que a Marta é melhor. E o faz por dois motivos bem simples.

Primeiro: A elite de São Paulo é o cancro desse país. Para ficar claro: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Se alguém pulou a linha: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Sempre que um governo com visão social governa essa cidade, eles se enervam e votam  no próximo pleito baseados no ódio que nutrem pela sua própria gente.

E São Paulo desconhece o Brasil. Eles têm raiva de Marta, porque ela deu condições dignas de vida para gente desprovida de tudo, e isso ameaça a classe-mediazinha de saco rendido e mesquinha.

O cara não tem um projeto de governo, e quem vota nele sabe disso. Como votou no Pitta e no Maluf sabendo disso. Gente podre, gente nojenta e desprezível. É em meio a esse povo que vivo. Vão eleger um coronelzinho só pelo prazer de ver os pobres se ferrarem, mesmo que se fodam juntos. Gente pequena e imbecil…

Segundo: Eu prefiro uma puta assumida que solta um “relaxa e goza” para a classezinha que viaja de avião, do que uma bicha enrustida que chama o povo de vagabundo diante das câmeras. E qualquer pessoa sensata prefere também. Escolher o Kaxab entre os dois é assinar uma confissão de impotência e dizer bem alto:

“- Sou um cuzão conservador que tem medo de mulher”.

Não é à toa que republicanos e pastores dão o cu escondidos.

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novembro 24, 2010

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Moral e justiça

novembro 5, 2010

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<br /><b>Crédito: </b> ARTE PEDRO LOBO 

Crédito: ARTE PEDRO LOBO

 

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Do Correio do Povo

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Já escrevi outras vezes sobre livros de Tarso Genro. Não é por ele ser agora o governador eleito do Rio Grande do Sul que deixarei de comentar “Direito, Constituição e Transição Democrática” (editora Francis), que terá sessão de autógrafos hoje, a partir das 17h30min, na Feira do Livro de Porto Alegre. Tarso é um intelectual no sentido mais preciso da palavra. Os artigos que compõem a coletânea foram escritos quando ele era ministro da Justiça. Permitem compreendê-lo buscando o equilíbrio entre moralidade e legalidade. É belíssimo documento capaz de ajudar a entender as suas posições sobre o caso Battisti e sobre a polêmica relativa à revisão da Lei da Anistia.

Tarso acertou em cheio ao não autorizar a extradição de Battisti. Também se posicionou corretamente quanto à Lei da Anistia, que não poderia servir para livrar torturadores de punição. No final da sua excelente introdução, ele cita uma observação feita há três décadas pelo professor Nilo Batista: “A tortura e o homicídio de um preso não são crimes políticos, nem são crimes conexos a crimes políticos, objetiva ou subjetivamente. São crimes comuns, são repugnantes crimes comuns, que estão a merecer – até quando – processo e julgamento”. Daí a firmeza de Tarso Genro: “O que a decisão do STF fez, pelo voto do ministro Eros Grau, foi tentar criar um consenso em torno da anistia em favor dos que controlavam os porões da ditadura, com suas torturas e assassinatos”.

Em algumas situações históricas, a moralidade exige a ilegalidade. Por exemplo: é moralmente defensável que se conspire contra a lei para extrair alguém de uma prisão onde a tortura seja praticada. “Embora a anistia tenha sido um avanço significativo na luta contra o regime sem Direito, a sua trama legal em evolução beneficiou principalmente os que controlavam o regime ditatorial, que foram os vencedores também na transição.” Os perdedores já haviam sido “presos, torturados, mortos, expurgados da vida pública”. Qual foi a punição aos torturadores? Nenhuma. Praticaram o horror sem pena.

O último texto, “O Caso Cesare Battisti”, é o histórico relatório em que Tarso Genro, ministro da Justiça, concede refúgio político ao italiano. Com argumentação minuciosa, ancorado intelectualmente em Norberto Bobbio, demonstra que Battisti cometeu crimes políticos, foi condenado num Estado de Direito que recorreu à “exceção” legal, gerando inclusive ilegalidade dentro dessa já controvertida exceção, e acusado de crimes de cuja participação não se apresentou prova cabal. “É bom que reste claro que o caráter humanitário que também é princípio da proteção internacional da pessoa humana, perpasse o refúgio, implicando o princípio in dubio por reo”. Arremate: “O contexto em que ocorreram os delitos de homicídio imputados ao recorrente, as condições nas quais se desenrolaram os seus processos, a sua potencial impossibilidade de ampla defesa face à radicalização da situação política na Itália, no mínimo, geram uma profunda dúvida sobre se o recorrente teve direito ao devido processo legal”. Se extraditado, o processo não será reaberto. Decisão consistente e justa.

JUREMIR MACHADO DA SILVA | juremir@correiodopovo.com.br

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Deixa de ser enganador

Pois bolinha de papel não fere e nem causa dor

Um homem forte

De tamanho natural

Como pode uma bolinha

Lhe mandar pro hospital?

O factóide ao perceber que perdeu

Entra logo em desespero

Foi o que aconteceu

Deixa de ser enganador

Pois bolinha de papel não fere e nem causa dor

Cara de pau

Sempre existiu por aí

Uma bola de papel

Lhe mandar pro CTI

Me engana!

Já diz a rapaziada

Foi sentir 20 minutos

Após levar a bolada

Deixa de ser enganador

Pois bolinha de papel não fere e nem causa dor

É bom que saibam

Que não estamos em guerra

Que em 31 de outubro

Essa história se encerra

Pra aparecer

Pede que a turma te filma!

Um homem deste tamanho

Com tanto medo da Dilma!

Deixa de ser enganador

Pois bolinha de papel não fere e nem causa dor

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(Maurício)

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Virou moda nos últimos 60, 70 dias comparar o incomparável, aquilo que basta ter olhos e saber que não se está sozinho no mundo para não precisar do recurso comparativo. Já que parece obrigatória essa comparação, recomendo a leitura do texto a seguir. Dele sobra minha pergunta, humilde mas insistente: será que vão acusá-lo de petismo, de não reconhecer os méritos de FHC, de ligações com Lula ou José Dirceu, de esquecimento oportunista ou o quê? Pelo menos é um tucano desenvolvimentista (fundador do atual ninho dos galinhas verdes) que considera a herança FHC um engodo, e explica porque 80% da população acha essa mesma herança uma merda (QUASE NADA SE APROVEITA). E concorda com o que digo há oito anos: o governo Lula não pegou base sólida alguma, mas sim um País vendido e menor, uma excrescência no cenário mundial. Quem se beneficiou do cenário internacional para alcançar objetivos aquém de medianos foi o seu antecessor. E com ele (ou qualquer outro de sua camarilha privatista) a única coisa que continuaria era a imobilidade social e a alegria de uma classe média retrógrada e medíocre, feia e cinza,garoenta e suja, cheia de ódio e instável como o clima dessa aberração geográfica da qual estou tentando me livrar.

Aos que ficam, votam no Alckmin mas acham um absuuuuuuuurdo o Tiririca se eleger, deixo o texto do Prof. Theotonio e meus pêsames.

 

Carta de Theotonio Dos Santos a FHC

Enviado por luisnassif, seg, 25/10/2010 – 15:42

Por Carlos Américo Chaves Nogueira

Carta Aberta a Fernado Henrique Cardoso

Theotonio dos Santos

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

 

o nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa.

Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço

thdossantos@terra.com.br
http://theotoniodossantos.blogspot.com/

(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Segue email da Carol reproduzido. Em suma: se é pra partir para baixaria, não somos beatos mas também temos argumentos.

Prezados coordenadores da campanha,

Tenho 28 anos e voto no PT desde a minha primeira eleição. Primeiro porque minha mãe é filiada ao Partido dos Trabalhadores desde o começo dos anos 90 e participou ativamente dos movimentos de moradia na zona sul da cidade de São Paulo, época em que o partido desempenhou um papel primordial nas discussões e conquistas com o governo municipal.

Segundo porque sou absolutamente contra a ideologia dos partidos de direita (tenho especial e profunda ojeriza ao PSDB). Assim, acredito ter participado, ainda que pequerrucha e sem entender com clareza, das mudanças pela qual a sociedade brasileira passou. Podia sentir isso quando acompanhava a minha mãe nos comícios, nas infinitas reuniões em associações de moradores de bairro e outros movimentos.

Nesse contexto e isto posto, sinto-me no direito de mandar essa mensagem. Foi com uma grande decepção e peso no peito que não vi a vitória da Dilma no primeiro turno. Arrumei-me e aos meus filhos e rumamos para casa de uma família amiga para o evento que chamamos de “Marcha da Apuração”. A ideia era tomarmos cerveja durante a tarde, nos entupirmos de quitutes, tudo isso ao som das nossas crianças colocando a casa abaixo. Essas mesmas crianças que tiveram acesso à um monte de coisas (graças ao nosso presidente) que nem eu ou meus amigos tivemos quando crianças.

Pois bem. Queríamos repetir o feito de 2002 e 2006. Ir para a Av. Paulista comemorar as benesses da democracia e a vitória do que tanto representa para o país. Gostaríamos de ir comemorar a vitória da mulher, a primeira mulher presidente da nação e beber em saúde dos milhões de brasileiros que sairam da miséria e outros tantos que ascenderam economicamente. Beber em homenagem ao belíssimo governo que o meu (tomo a liberdade de usar o pronome possessivo), o MEU presidente tão querido fez. Beber aquela cachacinha que acredito que ele aprecie e que não pode degustar em paz por conta dessa imprensa nefasta que ainda (mas cada vez menos) tem o poder de manipular as informações e transformar um pontinho escuro no buraco negro do universo.

Não foi o que aconteceu, como todos sabemos. A cerveja amargou a garganta no dia 03 de outubro. As guloseimas embrulharam o estômago e a apreensão toma conta desse ser de 1,56cm desde aquele fatídico domingo. Não acompanho mais nenhuma notícia sobre a eleição em qualquer tipo de mídia, mas elas acabam chegando à mim, não tem jeito. E sinceramente acho que o contra-ataque tem de ser pesado também.

Por exemplo, citarei alguns pontos nos quais gostaria de tocar:

Sou uma usuária do Twitter desde 2008, quando a ferramenta não tinha esse alcance todo. Aí que corre deslavadamente a informação de que a Soninha Francine, coordenadora da campanha do “Zé” é sua amante. Na verdade existe essa conversa desde 2008, quando então prefeito o “Zé” deu uma subprefeitura pra ela. Pois bem: por que vocês não abordam a questão do adultério e usam essa arma? Não imagino como poderia ser feito, mas informação é poder, certo?

Outra coisa: a teúda e manteúda do “Zé” já fez um aborto conforme declaração da própria numa revista dessas aí (acho que foi a TPM). Duas bombas não mão e que não estão sendo corretamente manipuladas. Ah, e tem outra, né? Maconheira. A Soninha é maconheira. Não tenho nada contra isso, mas a sociedade brasileira é retrógrada, conservadora e ainda deixa que a religião e valores morais interfiram no voto. Pois usem isso, por meus filhos, por nós brasileiros!

Pra finalizar: sou paulista, gosto da minha terra, mas olha, esse Estado é o cancro do país. É o mais rico e tudo, mas é o mais conservador do Brasil. E o resto do país não é muito chegado na gente, né? Temos fama de gerentinho em outro locais. Acho que cabia jogar a culpa aqui e colocar todo o complexo de inferioridade dos outros Estados contra esta unidade da Federação.

Bão, de coração quero muito que no dia 31 esse peso finalmente possa sair do meu peito.

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NOTA DO CORUJA: Acabo de criar o verdadesobreserra@gmail.com Crie um boato e mande pra lá. E depois vamos divulgar onde for possível.

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